Vibra, Raízen e Ipiranga, maiores distribuidoras de combustíveis no Brasil, foram autuadas nesta semana pela Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) por altas injustificadas nos preços de combustíveis.
Segundo dados divulgados pela ANP e apurados por QUATRO RODAS, desde o início da guerra entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, no dia 28 de fevereiro, o óleo diesel passou do preço médio de R$ 6,03 para R$ 7,28, o que representa alta de 20,39%, enquanto a gasolina foi de R$ 6,28 para R$ 6,65, acréscimo de 5,89%.
Na quinta-feira, 19, essas e outras distribuidoras foram alvo de ações de fiscalização no estado de São Paulo. A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon) concedeu o prazo de 48 horas para que essas distribuidoras apresentem esclarecimentos sobre seus custos e eventuais aumentos no preço dos combustíveis sem justa causa.
De acordo com informações da ANP, as ações do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor, que une Procons municipais e estaduais e a Senacon, alcançaram 1.196 postos, 52 distribuidoras e uma refinaria em todo o país, desde o dia 9 de março. As fiscalizações seguem em andamento.
Em nota divulgada à imprensa, a ANP diz ainda que “até o momento, a agência não identifica restrições à manutenção das atividades ou à disponibilidade de combustíveis no mercado doméstico, considerando as fontes usuais de suprimento do país e as importações.”
E ressalta que “as medidas adotadas têm como objetivo, diante do cenário internacional, intensificar o monitoramento de estoques e importações e prevenir possíveis futuros problemas de abastecimento.”

O que dizem Vibra, Ipiranga e Raízen?
A QUATRO RODAS, a Vibra afirma que colaborou e seguirá à disposição da Senacom para prestar todos os esclarecimentos. “Nas últimas semanas, o setor tem enfrentado um cenário desafiador, com restrições de oferta e ajustes nas condições de fornecimento, o que impacta a dinâmica do mercado”, diz a Vibra.
A Raízen, licenciada da marca Shell no Brasil, por sua vez, esclarece que “recebeu solicitação da Senacon, a qual será devidamente respondida. A Raízen reforça seu compromisso com a ética, a transparência e o rigoroso cumprimento da legislação vigente, conduzindo suas atividades de forma responsável em todos os seus relacionamentos”.
A Ipiranga ressalta que “os preços no setor são influenciados por múltiplos fatores, incluindo diferentes formas de suprimento de combustível — como aquisições via importação e operações específicas de mercado — além de custos logísticos e condições regionais, em um ambiente de livre concorrência”.
E completa: “a companhia entende que a autuação da ANP se baseou em somente uma parcela destes impactos, no caso o preço Petrobras, sem considerar os componentes de preços como os valores de importação, elevado em meio à instabilidade política global. Um exemplo é a própria pesquisa de custos da ANP que mesmo com duas semanas de defasagem já demonstra mais de R$ 1 em aumento de custo nos produtores e importadores”.
