📋 Resumo
O Brasil lidera o mercado mundial de carros blindados, com uma indústria estruturada e tecnologias cada vez mais avançadas. Em 2024, foram realizadas 34.402 novas blindagens no país, sendo 85% delas apenas no estado de São Paulo. Países como México e Colômbia, com realidades sociais similares, não possuem um mercado tão robusto.
O setor tem batido recordes ano após ano, com a expectativa de fechar 2025 com ainda mais crescimento. A evolução dos materiais, como a substituição de placas de aço por fibras leves, tem tornado a blindagem mais acessível, democratizando o acesso a carros blindados, tanto para veículos de luxo quanto populares.
Até os anos 1990, ter carro blindado no Brasil era algo para diplomatas ou empresários de classe alta que temiam por sequestros. No trânsito, a preocupação da classe média era restrita, em geral, a abordagens pouco agressivas e a furtos como os de toca-fitas (quem viveu o período certamente se lembra das frentes removíveis dos rádios, que eram levadas pelo motorista ao estacionar na rua).
Com o aumento da violência, principalmente nas grandes cidades, a procura por blindagem automotiva se intensificou e se popularizou, gerando um mercado estruturado e com tecnologias cada vez mais modernas, que cresceu bastante no pós-pandemia.
De acordo com dados da Associação Brasileira de Blindagem (Abrablin), foram feitas 34.402 novas blindagens no país ao longo de 2024, sendo cerca de 85% delas apenas no estado de São Paulo (28.962 veículos).

Na segunda posição ficou o Rio de Janeiro, com 2.669 unidades, seguido por Ceará (992), Pernambuco (843) e Rio Grande do Sul (395). Entre as marcas mais blindadas no ano passado estão Toyota, Jeep, BMW, Volkswagen e, consolidando a inclusão dos veículos eletrificados nesse segmento, a chinesa BYD.
Países com realidades sociais tão ou mais complexas que o Brasil, como México e Colômbia, não possuem um mercado tão robusto e especializado. “Somos referência mundial em blindagem para civis. O segundo colocado é o México, que fechou o ano passado com 8.000 a 9.000 carros”, compara Marcelo Silva, presidente da Abrablin. “Aqui são mais de 120.000 profissionais diretos e indiretos trabalhando no setor, que gera mais de R$ 2 bilhões ao ano”, diz ele, lembrando que a associação criou, recentemente, um curso de especialização, em parceria com o Senai, para formar profissionais blindadores.
Desde 2021, o setor bate recordes ano após ano. E, segundo a própria Abrablin, a expectativa é fechar 2025 com mais crescimento – apenas no primeiro semestre, foram blindados 22.425 veículos. Atualmente, a estimativa é de que a frota total no Brasil esteja em torno de 425.000 automóveis do tipo.

“Com o alto índice de violência nas grandes capitais, as pessoas passaram a ter desejo por carros blindados”, observa Daniel Faingezicht, professor da Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM) e especialista em mercado de luxo automotivo.
“O aumento do volume de produção e também as tecnologias mais modernas tornaram (esse mercado) mais acessível”, diz ele. “Algumas pessoas mantiveram o padrão dos carros de luxo que têm, de marcas como Porsche, Mercedes, Audi, BMW e Volvo, e os tornaram blindados. Porém, uma outra parte da população optou por carros mais populares, que ficam mais discretos no trânsito, como os da Honda, Toyota, Volkswagen e Nissan. Está muito mais democrático o acesso a carros blindados.”
Os materiais, todos de uso controlado pelo Exército brasileiro, também evoluíram muito na blindagem de nível III-A, a mais adotada para uso civil no Brasil, suficiente para barrar projéteis de armas como pistolas e revólveres, além de submetralhadoras 9 mm.
Na carroceria, boa parte das pesadas placas de aço foi substituída por tecidos de fibras leves, como a manta de aramida, já utilizada em coletes à prova de bala. E tecnologias como o Polietileno de Ultra Alto Peso Molecular (UHMWPE) estão sendo usadas em substituição ao pouco aço balístico que ainda costuma revestir as colunas estruturais do veículo. “É um mercado que é regulamentado, profissionalizado, com boa matéria-prima e boa mão de obra”, observa Patricia Grilli, organizadora da Expoblindagem, evento cuja primeira edição reuniu 30 expositores e cerca de 800 visitantes, em outubro de 2025, na cidade de São Paulo.
