SÃO PAULO (por enquanto) – Bem, não há dúvidas de que as 500 Milhas ofuscaram Mônaco ontem, ao menos aos olhos e no coração deste que vos bloga. Então, pode ser que, aqui e ali, eu fale da Indy, de Alonso, de Sato, da Honda, do carro laranja #29. Pode ser. Talvez ao final do texto eu não tenha tocado no assunto. Estou escrevendo na correria, prestes a entrar para a gravação do “Nitro” aqui na Fox.
Mônaco. O grande assunto do dia foi: a Ferrari favoreceu Vettel? Em português bem claro: fodeu Raikkonen?
Eu não seria tão assertivo, como não fui ontem. Ninguém, na minha modesta opinião, quis deliberadamente estragar o domingo do finlandês. Que a estratégia de parar depois, numa pista que não gasta pneus, acabou se mostrando melhor, isso é fato. Mas ela só funcionaria se o interessado em questão, Vettel, cumprisse aquilo que seria necessário para ganhar a posição, a saber: enfiar uma série de voltas muito rápidas para descontar o tempo perdido atrás de Raikkonen.
Vettel fez isso, ganhou a corrida. Insisto que pilotos não são obrigados a fazer o que não querem. Se Kimi tivesse convicção de que com os ultramacios ainda poderia ficar mais um tempo na pista, poderia ter discutido isso com o time pelo rádio. Em geral, porém, pilotos fazem aquilo que lhes é pedido pelo rádio. Os caras nos boxes têm mais condições de avaliar cenários, orientar estratégias. É preciso confiar neles, como disse Raikkonen. Não funcionou muito bem, como se viu.
Por outro lado, diante de duas estratégias diferentes, quem ficaria com a melhor delas numa situação de campeonato como a que temos em 2017? Aquele que luta pelo título, claro. Não estou, aqui, passando o pano na Ferrari. Não gosto de favorecimentos, ainda mais quando eles podem tirar de alguém a chance de ganhar uma corrida. Ontem, ficou claro que a estratégia para Vettel foi melhor. Mas ela foi deliberadamente traçada para prejudicar Raikkonen? Não sei. Foi deliberadamente traçada para ajudar Vettel? Foi. Ajudar um significa necessariamente prejudicar o outro, ser sacana, escroto, desleal?
A resposta deixo para vocês. Na minha cabecinha de mamão, a Ferrari trabalhar para Sebastian ser campeão é algo que faz sentido. E caberá, sempre, ao outro piloto reverter o quadro. É uma luta solitária, claro. Mas Rosberg encarou nos seus anos de batalha com Hamilton, até conseguir derrotá-lo. Webber não conseguiu com Vettel. Nem Barrichello com Schumacher. Bottas, se quiser bater Hamilton, terá de fazê-lo por conta própria. Raikkonen, se desejar não passar pelo que passou ontem, terá de se virar sozinho. É assim. Pelo simples fato de que um piloto sempre é melhor que o outro. E o melhor será privilegiado quando for preciso. Na maioria das vezes, isso não é necessário. Mas, às vezes, é.
Hamilton disse não ter dúvidas de que a Ferrari escolheu seu primeiro piloto. Toto Wolff, seu chefe na Mercedes, contemporizou e disse que a equipe italiana não fez nada de propósito. É bom lembrar que a própria equipe alemã já fez coisa parecida neste ano, tirando Bottas da frente de Hamilton mais de uma vez para não atrapalhá-lo. Portanto, não sejamos ingênuos. Nesta luta ponto a ponto de 2017, essas coisas vão acontecer de novo. Na Mercedes e na Ferrari. É como digo sempre. Nesses casos, os maiores aliados dos segundos pilotos são os primeiros da equipe rival. Se Raikkonen tivesse alguém entre ele e Vettel, uma Mercedes, por exemplo, a história poderia ser diferente. Se Bottas estiver na frente de Hamilton um dia desses com uma Ferrari separando os dois, a Mercedes não vai fazer nada para jogá-lo para trás.
É a dura vida de um segundão.
Vão comentando aí, que tenho de gravar e depois volto para concluir nosso pós-corrida com o charme de sempre: melhor foto, número, frase, cartum do Falleiros, “Gostamos & Não gostamos”.
