A chegada de marcas chinesas ao Brasil, com preços agressivos e boas vendas, está forçando montadoras já estabelecidas a reduzir os valores de tabela de seus carros em 2026. O corte mais recente foi o da Nissan, que baixou em até R$ 10 mil o preço do Kicks de nova geração.
A pressão das marcas chinesas
Nos últimos três anos, várias marcas chinesas passaram a desembarcar no mercado brasileiro com preços competitivos. Para manter as vendas em alta, as fabricantes que já atuavam no país foram obrigadas a rever seus valores.
A faixa entre R$ 120 mil e R$ 200 mil foi a mais afetada, já que as chinesas oferecem modelos elétricos e híbridos nessas cifras. Algumas marcas, como as do grupo Stellantis e a Volkswagen, resistiram a mexer na tabela e preferem usar valores promocionais nas concessionárias, com descontos de quase R$ 30 mil. Nesta lista, só entram reduções na tabela, sem descontos de concessionária, que podem depender do tipo de venda e da entrega de um usado na troca.
Nissan, Jeep e Suzuki
A nova geração do Nissan Kicks estreou com preços de até R$ 200 mil, o que o tornou o carro 1.0 turbo mais caro do mercado. Com a linha 2027, as versões passaram a subir em incrementos de R$ 10 mil, e a topo de linha Platinum foi reduzida para R$ 189.990.
A Jeep sentiu o impacto das chinesas: Renegade e Compass perderam vendas nos últimos anos e receberam cortes para seguir competitivos, mesmo estando no mercado há mais de 10 anos. O Renegade perdeu a versão de entrada Sport para dar espaço ao novo Avenger. A versão Altitude foi lançada por R$ 149.990 na linha 2027, mas o preço promocional de R$ 129.990 virou o de tabela nos meses seguintes. O Compass Sport custa R$ 147.990, para enfrentar os SUVs médios chineses dessa faixa. Entre os nacionais da marca, apenas o Commander ficou sem redução de tabela, contando só com descontos em concessionárias.
Como o Jimny não atendia às novas normas de emissões no Brasil, a HPE Automotores passou a importar o SUV elétrico e o Vitara para manter a Suzuki no país. O preço de lançamento foi de R$ 269.990, mas logo caiu para R$ 219.990.
Mitsubishi, Chevrolet, Volkswagen e Kia
A Mitsubishi reduziu os preços em toda a linha, com descontos que chegaram a R$ 55 mil. O Eclipse Cross de entrada caiu de R$ 176.990 para R$ 159.990. O Outlander PHEV, o mais beneficiado, foi de R$ 379.990 para R$ 324.990 na versão HPE-S, e a Triton agora parte de R$ 249.990.
A Chevrolet trouxe um SUV elétrico compacto chinês para enfrentar o BYD Dolphin e outros hatches chineses, mas chegou a pedir mais de R$ 170 mil. Hoje o Spark EUV é tabelado em R$ 144.990. Ele é montado no regime SKD na fábrica da Pace, no Ceará, o que ajuda a reduzir o preço.
O Volkswagen Taos 2027 chegou com reestilização e novos equipamentos, mas com tabela R$ 20 mil menor, partindo de R$ 199.990. Já o Kia Sorento voltou ao Brasil com motor a diesel e proposta parecida com a do Jeep Commander. Apenas seis meses após o lançamento, seu preço caiu R$ 55 mil, para R$ 344.990.
Para o consumidor brasileiro, o recado é que a concorrência chinesa começou a surtir efeito no bolso: o preço dos carros novos parou de subir em 2026, e as montadoras tradicionais já precisam justificar seus valores diante de elétricos e híbridos mais baratos. Quem pretende comprar deve acompanhar tanto a tabela quanto as promoções das concessionárias.
