📋 Resumo
A Ferrari revelou o nome e o interior de seu primeiro supercarro elétrico, o Ferrari Luce. Diferente da tendência de digitalização, o modelo tem foco na reintrodução de controles físicos, táteis e mecânicos, com design desenvolvido em parceria com a LoveFrom, coletivo criativo fundado por Sir Jony Ive e Marc Newson. O interior prioriza botões, alavancas e interruptores físicos, inspirados em carros de Fórmula 1 e esportivos clássicos. Tecnologicamente, o Ferrari Luce utiliza uma arquitetura inédita de quatro motores elétricos, entregando mais de 1.000 cv e aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos. A produção e entrega das primeiras unidades devem ocorrer após a revelação final do design exterior, prevista para o próximo trimestre.
A Ferrari revelou nesta segunda-feira (9) o nome e o interior de seu primeiro supercarro elétrico. Batizado de Ferrari Luce, o modelo marca uma mudança significativa na estratégia de design da marca italiana, com um habitáculo desenvolvido em parceria com a LoveFrom, coletivo criativo fundado por Sir Jony Ive (ex-chefe de design da Apple e responsável pelo iPhone) e Marc Newson.
Diferente da tendência atual da indústria automotiva e dos recentes lançamentos da própria Ferrari, o Luce caminha na contramão da digitalização excessiva. O foco do projeto está na reintrodução de controles físicos, táteis e mecânicos, distanciando-se das interfaces baseadas puramente em telas sensíveis ao toque.

A revelação completa do carro segue um cronograma fatiado: a parte técnica foi apresentada em outubro de 2025, o interior agora em fevereiro, e o design exterior será mostrado apenas em maio de 2026, na Itália.
O ponto central do interior do Ferrari Luce é a ergonomia focada na resposta mecânica. Após críticas de consumidores e imprensa especializada sobre os comandos capacitivos (sensíveis ao toque) presentes no volante de modelos como a SF90 Stradale e a 296 GTB, a Ferrari parece corrigir a rota com o Luce.

A interface prioriza botões, alavancas e interruptores físicos. A inspiração citada pela marca remete aos carros de Fórmula 1 e aos esportivos clássicos, onde a operação deve ser intuitiva, permitindo que o motorista acione funções sem desviar o olhar da estrada.
O volante adota uma silhueta de três raios, uma releitura direta dos clássicos volantes de madeira Nardi que equipavam as Ferraris de estrada e pista nos anos 50 e 60. No entanto, a construção é moderna: utiliza alumínio 100% reciclado e usinado, resultando em uma peça 400 gramas mais leve que os volantes atuais da marca.

Atrás do volante, a instrumentação é inédita. O cluster (painel de instrumentos) é fixado na coluna de direção e se move solidariamente ao ajuste do volante, garantindo que a visibilidade dos dados nunca seja obstruída pelo aro. O sistema utiliza duas telas OLED sobrepostas desenvolvidas pela Samsung Display, criando um efeito de profundidade tridimensional através de recortes estratégicos no hardware.

No console central, há uma tela montada sobre uma articulação esférica, permitindo que seja voltada para o motorista ou para o passageiro. O sistema de infoentretenimento inclui um “multigráfico” com ponteiros físicos de alumínio sobre uma tela digital, operando funções como cronógrafo, bússola e relógio.

O acabamento interno foge do padrão couro e fibra de carbono. O Luce utiliza extensivamente alumínio reciclado anodizado e vidro Corning Fusion5 (similar ao usado em smartphones de topo de linha) para garantir resistência a riscos.
Um detalhe curioso é a chave do veículo. Feita de vidro, ela incorpora uma tela de “E Ink” (tinta eletrônica, similar à de leitores digitais como o Kindle). A chave muda de cor ao ser acoplada ao console central, iniciando uma sequência de iluminação no painel que sinaliza que o carro está pronto para rodar. A alavanca de câmbio segue a mesma lógica de material, sendo uma peça usinada em vidro.
O Ferrari Luce chega em um momento crucial para a fabricante de Maranello. Enquanto concorrentes como a Rimac já estabeleceram recordes com hipercarros elétricos e a Lamborghini prepara o lançamento do Lanzador, a Ferrari manteve uma postura cautelosa quanto à eletrificação total, focando até então em híbridos plug-in (SF90 e 296).
O nome “Luce” (Luz, em italiano) sugere a nova filosofia da marca onde a eletrificação é tratada como um meio para performance, e não apenas sustentabilidade.
Como divulgado em outubro passado, o Ferrari Luce utiliza uma arquitetura inédita de quatro motores elétricos de ímãs permanentes, um para cada roda. O conjunto entrega mais de 1.000 cv e brutais 106 kgfm de torque instantâneo. A distribuição de força privilegia a traseira, onde os motores geram 843 cv, enquanto o eixo dianteiro contribui com 286 cv e pode ser desacoplado em apenas 0,5 segundo para uma tocada puramente RWD (tração traseira).
Essa configuração permite um controle de vetorização de torque independente em cada roda, essencial para mascarar os cerca de 2.300 kg do modelo. O resultado na pista é uma aceleração de 0 a 100 km/h em 2,5 segundos. Para garantir agilidade de berlinetta, o modelo utiliza a terceira geração da suspensão ativa da marca (similar à da Purosangue), com motores elétricos de 48V nos amortecedores e eixo traseiro direcional.

A energia provém de uma bateria estrutural de 122 kWh e 800 Volts, com densidade energética superior à média do mercado. O posicionamento dos módulos no assoalho reduziu o centro de gravidade em 8 cm na comparação com as Ferrari a combustão. O sistema suporta recargas ultrarrápidas de até 350 kW, recuperando 300 km de autonomia em apenas 20 minutos. O alcance total estimado é de 530 km.
A Ferrari também rejeitou o uso de sons artificiais digitalizados para compensar a ausência do V8 ou V12. A solução foi instalar acelerômetros diretamente no metal do eixo elétrico para captar a vibração mecânica natural. O sistema funciona como uma guitarra elétrica, amplificando a frequência real dos motores para dentro da cabine, criando uma assinatura sonora autêntica e progressiva.
A produção e entrega das primeiras unidades devem ocorrer após a revelação final do design exterior, prevista para o próximo trimestre.
